Francesco Scognamiglio queria comunicar uma mensagem de paz através da sua coleção de alta costura de primavera, tendo em conta o que descreveu como a “situação fora de controlo do mundo”. O simbolismo cristão foi um forte leitmotiv – ele intitulou a coleção A Ressurreição. Outra foi seu compromisso com o artesanato artesanal.
O estilista esteve pessoalmente envolvido na confecção de algumas peças, inclusive no look de abertura. Um vestido de comprimento médio cor de marfim em técnica bouillonné, lembrava como uma das primeiras criações que seu eu mais jovem tentou no ateliê.
A iconografia religiosa estava presente em muitas das peças, como na túnica de chiffon emoldurada por uma incrustação de renda feita à mão, lembrando estuque de igreja, com a figura de Cristo no centro do peito. A distinção deliberadamente turva entre os sexos é outro dos códigos de Scognamiglio, desta vez representado através do elegante smoking marfim com largas lapelas de cetim e as rigorosas calças pretas combinadas com uma camisa branca de chiffon decorada com renda.
Por outro lado, o estilista também acredita numa feminilidade extremamente sensual realçada por um toque de extravagância (daí a homenagem ao estilo de Madonna Histórias para dormir-era penteado). Os vestidos transparentes foram os principais protagonistas com lantejoulas tridimensionais e flores de cristal – mais uma vez feitas pessoalmente por Scognamiglio – ou decorações simétricas em pedra. Depois, a feminilidade foi ainda mais celebrada com vestidos longos totalmente incrustados de cristais, complementados por espartilhos com copas cônicas – uma clara referência à década de 1950. Para fechar sua proposta de primavera, havia uma variedade de vestidos de noiva: desde um slip dress ricamente decorado até um de organza de múltiplas camadas bordado com cristais em forma de gota no espartilho.
Fonte ==> Vogue



