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Neste episódio Ask Me Anything, Imran Amed responde a perguntas enviadas por ouvintes de todo o mundo, abrangendo a atual crise do luxo, o colapso das principais plataformas grossistas, as realidades enfrentadas pelos designers emergentes e como as narrativas de crescimento global na Índia e em África são muitas vezes mal compreendidas. Mais tarde, a conversa diminui para ouvir os conselhos de Amed sobre educação e formação, jornalismo de moda e as competências necessárias para construir uma carreira duradoura numa indústria que está a passar por mudanças estruturais.
Principais insights:
- Amed enquadra a actual recessão no luxo como fundamentalmente diferente das crises anteriores, argumentando que este momento está enraizado em escolhas estruturais feitas pela própria indústria. Anos de expansão excessiva, preços inflacionados e quedas implacáveis de produtos enfraqueceram a confiança e corroeram o significado, deixando os consumidores desinteressados. “O momento em que nos encontramos parece diferente para mim, porque o que está acontecendo vem de dentro da indústria”, diz ele, apontando para a supersaturação e uma quebra no valor percebido.
- Apesar da democratização prometida pelos canais diretos ao consumidor, a Amed acredita que este é um dos ambientes mais difíceis em décadas para as marcas independentes ganharem força. O colapso das principais plataformas multimarcas, combinado com condições de pagamento lentas e concorrência intensa, tornou o crescimento e a gestão do fluxo de caixa cada vez mais precários. No entanto, ele vê oportunidades para os designers oferecerem clareza e moderação onde as grandes marcas exageraram. As marcas mais pequenas podem competir oferecendo valor real — “produtos de alta qualidade, lindamente desenhados… que resultam de um sentido de qualidade”, explica ele, posicionando a escassez e os preços razoáveis como vantagens e não como restrições.
- Amed adverte contra narrativas simplistas que enquadram a Índia ou a África como os próximos motores de crescimento imediato do luxo ocidental. No caso da Índia, ele argumenta que as expectativas muitas vezes ignoram realidades culturais e económicas profundamente enraizadas. “A Índia já tem uma indústria de luxo que remonta a centenas de anos”, diz ele, apontando para tradições de longa data em joalharia, alfaiataria e têxteis que continuam a moldar o comportamento do consumidor hoje. Entretanto, África representa um enorme potencial a longo prazo, impulsionado pela demografia, criatividade e influência cultural – mas grande parte do envolvimento do luxo ainda acontece fora do continente. “África tem mais de mil milhões de pessoas e a população que mais cresce no mundo – não há dúvida de que esta é uma enorme oportunidade futura”, afirma.
- Amed rejeita a ideia de que exista um caminho único para a moda, mas tem certeza de que o sucesso hoje exige um conjunto de habilidades mais amplo do que apenas a criatividade. Para os designers, a compreensão técnica e a literacia empresarial são cada vez mais essenciais se quiserem construir algo sustentável. Para os jornalistas, Amed argumenta que “um ponto de vista é a coisa mais importante no jornalismo de moda hoje”. Ele resume: “A única coisa que é verdade, quer você frequente a escola de jornalismo ou não, é que você só precisa praticar. Se você é um escritor, precisa escrever todos os dias. Se você é um criador, precisa criar todos os dias. Quanto mais você escreve, mais você cria, mais desenvolverá sua própria voz e mais se sentirá confiante no que está fazendo.”
Recursos Adicionais:
Fonte ==> The Business of fashion



