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É possível voltar a confiar na namorada após e – 31/03/2026 – Equilíbrio

É possível voltar a confiar na namorada após e - 31/03/2026 - Equilíbrio

Um leitor mandou a seguinte pergunta à seção Ask the Therapist (Pergunte à Terapeuta), do jornal The New York Times: Minha namorada e eu temos 26 anos e estamos juntos há um ano e meio. Nos primeiros meses do relacionamento, fiquei sabendo que ela ainda mantinha amizade com um ex-namorado. Ela evitava falar sobre ele e ficava desconfortável quando eu perguntava sobre essa amizade.

Eles terminaram porque ele foi morar em outra cidade, e quando ele voltou para uma visita, cerca de cinco meses depois que começamos a namorar, eles passaram muito tempo juntos. Mais tarde, quando pedi para conhecê-lo, ela concordou, mas no dia seguinte decidiu encerrar a amizade.

Um ano depois, ela me contou que, dois meses atrás, ele ligou para dizer que tinha sentimentos por ela e que estava voltando para a nossa cidade. Ela concordou em considerar terminar nosso relacionamento para reatar com ele. Durante esse período, trocaram mensagens periodicamente. Ela diz que ficou com medo de me contar porque eu poderia terminar com ela. Disse que achava que poderíamos superar isso, mas que, antes, ela precisaria escolher com quem queria ficar. Depois de alguns dias, ela decidiu ficar comigo e encerrou o contato com ele.

Não me incomoda que ela tenha tido sentimentos por alguém que foi importante para ela antes de mim, mas fiquei profundamente magoado com as mentiras sobre a amizade deles e com o fato de terem trocado mensagens por meses após a confissão dos sentimentos. Ela diz que se sentiu paralisada pela decisão, pois não queria perder nenhum dos dois. Está arrependida e perguntou o que pode fazer para melhorar as coisas.

Sempre me preocupei com o fato de ela poder ser emocionalmente esquiva e pouco reflexiva. Como posso ter certeza de que não estou sendo ingênuo ao acreditar nela e querer superar isso? Como voltar a confiar nela?

Resposta da terapeuta Lori Gottlieb: Sei que é tentador encarar uma traição como se fosse, em grande parte, uma questão da relação do parceiro com outra pessoa. Mas, em vez de começar pela pergunta de como voltar a confiar que sua namorada não reatará o contato com o ex —ou com outra pessoa no futuro—, eu partiria de uma pergunta diferente: o que aconteceu entre nós dois? Isso porque, agora, você tenta tomar uma decisão sem compreender plenamente o que o trouxe até aqui —ou seja, a esquiva.

Refiro-me não apenas à esquiva dela, mas também à sua. Esquivar-se é uma forma de administrar o desconforto imediato sem enfrentar o problema de fundo. No caso de sua namorada, parece que o término anterior não estava de fato encerrado quando vocês começaram a namorar. Você diz que eles se separaram por causa da distância, mas muitas pessoas encontram uma forma de contornar isso. Aqui, porém, não havia nem disposição para se comprometer nem para seguir em frente. Para lidar com essa ambivalência, ela a evitou —primeiro, não contando que ainda estava em contato com o ex; depois, dizendo que eram apenas amigos; e, por fim —depois que você pediu para conhecê-lo—, cortando a amizade.

Mas esquivar-se não apaga a ambivalência. Apenas a empurra para baixo. Quando o ex reapareceu um ano depois, ela continuava exatamente no mesmo lugar.

Enquanto isso, você fez a sua parte: ao ignorar a esquiva dela, deu a ela uma permissão tácita para continuar se esquivando. Você desconfiou desde cedo que algo estava errado, mas evitou ter uma conversa de verdade sobre isso.

Mas espere —você pode estar pensando: eu trouxe o assunto do ex-namorado, e ela não quis falar!

Sim —e aqui está uma distinção importante: você perguntou sobre o ex (o que diz respeito a ela e a ele), em vez de perguntar sobre o padrão entre ela e você. Você não disse, conforme cada episódio se desenrolava, algo como: “honestidade é muito importante para mim e, embora eu não tenha problema com ex-namorados que sejam amigos, gostaria de entender por que você sentiu que não podia me contar que estava em contato com ele.” Ou: “podemos conversar sobre o desconforto que percebo entre nós quando menciono o nome dele?” Ou: “gostaria de entender o que fez você decidir encerrar a amizade logo depois que conversamos sobre eu conhecê-lo.”

Mesmo agora, depois que ela escolheu ficar com você, parece que você não perguntou: o que fez você ficar ambivalente sobre o nosso relacionamento durante esse último ano? Quais dúvidas você teve sobre nós?

E tem mais: se você percebeu desde cedo que “ela pode ser emocionalmente esquiva e pouco reflexiva”, o que impediu você de levantar essa preocupação com ela —e o que fez você evitar se perguntar, apesar de suas frequentes preocupações, por que continuou no relacionamento como se tudo estivesse bem?

A conclusão é que nenhum dos dois quis lidar com o próprio desconforto.

Para chegar a um lugar de confiança, os dois precisam fazer o difícil trabalho de autorreflexão. Sua namorada precisará examinar mais de perto o padrão que ela mesma descreveu —sentir-se paralisada, não querer perder nenhuma das duas pessoas e adiar conversas difíceis até que as circunstâncias as tornem inevitáveis.

Ela demonstra disposição para entender sua esquiva e o que mudou naqueles poucos dias após o dilema vir à tona? Do que ela precisa para ter clareza sobre o que quer num parceiro e ao que está —ou não está— pronta para se comprometer? Ela tem consciência de por que escolheu contar para você exatamente naquele momento sobre as mensagens secretas: será que esperava que você assumisse o papel de tomar a decisão por ela para que ela não precisasse fazê-lo? Se você fosse embora, ela ficaria com ele; se você ficasse, ela ficaria com você. Foi um teste de lealdade ou de amor? E como ela está lidando com a perda do outro relacionamento?

Para você, a autorreflexão significa fazer perguntas semelhantes. O que você queria naqueles dias entre o momento em que ela lhe contou sobre sua ambivalência e quando decidiu ficar? Você estava focado no que ela faria, sem considerar o que você mesmo queria fazer? Você também precisará examinar sua tendência de notar sinais de alerta, mas suavizá-los em nome de manter o relacionamento estável. E cada um de vocês deveria se perguntar: onde, em suas histórias de vida, aprendeu essas formas de lidar com os conflitos?

O objetivo é que os dois se permitam falar abertamente sobre o que cada um faz quando se sente em conflito, ansioso ou com medo de machucar o outro —e criar uma expectativa compartilhada de que esses momentos sejam enfrentados diretamente.

Creio que vocês vão perceber que essa crise é o momento mais honesto que o relacionamento de vocês já viveu. Se conseguirem permanecer nessa honestidade —curiosos sobre si mesmos e transparentes um com o outro— você não precisará se perguntar se está sendo ingênuo. A própria experiência do relacionamento responderá por você.



Fonte ==> Uol

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