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Brasil pode produzir lenacapavir contra HIV após acordo – 21/01/2026 – Equilíbrio e Saúde

HIV: Brasil não pode fabricar genérico do lenacapavir - 15/01/2026 - Equilíbrio e Saúde

A Gilead Sciences, farmacêutica responsável pela fabricação do lenacapavir —injeção semestral de prevenção ao HIV—, diz ter firmado um memorando de entendimento com o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o Farmanguinhos.

O intuito é avaliar alternativas de cooperação, “incluindo o potencial de uma futura transferência de tecnologia para fabricação do medicamento no país”, afirma a empresa.

Na prática, o compartilhamento de tecnologia poderia reduzir custos de produção e tornar a fórmula mais acessível no Brasil.

O Farmanguinhos confirmou à reportagem a assinatura do documento. Ressalta, contudo, que o memorando não formaliza ainda um compromisso entre as instituições, apenas estabelece bases para avaliação, discussão e análise do lenacapavir.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou no último dia 12 o registro do medicamento no Brasil. Apesar disso, o produto ainda depende da definição do preço máximo pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). A disponibilização no sistema público de saúde será avaliada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e pelo governo.

O custo elevado do lenacapavir deve ser o principal obstáculo para sua distribuição gratuita. O tratamento hoje custa US$ 25,3 mil por pessoa ao ano (cerca de R$ 136 mil) nos Estados Unidos, podendo chegar a US$ 44,8 mil (R$ 241 mil) em algumas situações.

Uma opção seria a fabricação da fórmula genérica, que, conforme estudo publicado na revista Lancet, poderia custar de US$ 25 a US$ 47 por ano (de R$ 135 a R$ 253). Isso, porém, não acontecerá no Brasil, uma vez que a Gilead não autorizou o país a fabricar versões genéricas do medicamento, como mostrou a Folha.

Desde o ano passado, a Gilead realiza acordos de licenciamento para a produção de fórmulas genéricas do lenacapavir —foram contemplados, até agora, 120 países, considerados pela empresa os mais vulneráveis pela baixa renda da população. O Brasil não foi um deles. Nem será, segundo a farmacêutica.

Apesar disso, a Gilead tem colaborado para estudos sobre o medicamento no país, liberando doses gratuitamente. Um deles será conduzido pela própria Fiocruz.

Chamado ImPrEP LEN Brasil, o projeto vai disponibilizar o medicamento em sete cidades do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas (SP) e Nova Iguaçu (RJ).

O público alvo será aquele considerado mais vulnerável à infecção: homens gays e bissexuais, pessoas não binárias identificadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, de 16 a 30 anos.

Não haverá recrutamento para participação, ela será espontânea. Um indivíduo do grupo mapeado que chegar a um centro de saúde buscando a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) terá a opção de tomar o lenacapavir ou a combinação já distribuída no Brasil desde 2018 —um comprimido diário combinando os antirretrovirais tenofovir e entricitabina.

“A Gilead está comprometida com o desenvolvimento de uma estratégia de precificação equitativa e sustentável, que reflita o valor da inovação para o sistema de saúde e contribua para ampliar o acesso entre populações-chave. O preço é apenas um dos componentes do acesso, razão pela qual a companhia segue dialogando com autoridades e especialistas para avaliar os mecanismos mais adequados ao contexto brasileiro”, diz a farmacêutica.



Fonte ==> Uol

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