Search
Close this search box.

Pesquisa de Lívia Palumbo revela a evolução da proteção constitucional dos direitos das pessoas com deficiência no Brasil

A trajetória histórica dos direitos das pessoas com deficiência no Brasil passa, de forma determinante, pela evolução dos textos constitucionais. Essa é a principal conclusão da pesquisa conduzida por Lívia Palumbo, que analisou, em profundidade, como as Constituições brasileiras da Carta Imperial de 1824 à Constituição de 1988 (a denominada “Constituição Cidadã”) trataram (ou deixaram de tratar) esse grupo vulnerável ao longo das decadas. Segundo Palumbo, a investigação buscou compreender, a partir do contexto social e político de cada época, de que maneira os direitos das pessoas com deficiência foram abordados, protegidos, negligenciados ou sequer mencionados, além de identificar o caminho que levou à construção do atual sistema protecionista, alinhado às diretrizes internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ausência histórica de proteção: da Constituição de 1824 até meados do século XX

A pesquisa aponta que, até 1988, as Constituições brasileiras tratavam as pessoas com deficiência de forma incidental, superficial e pouco efetiva. As menções que apareciam em textos anteriores eram restritas, esparsas e não expressavam qualquer compromisso real com a garantia de direitos fundamentais. De acordo com Palumbo, essa lacuna histórica revela não apenas a falta de políticas inclusivas, mas também o reflexo de um país que, ao longo do século XIX e início do XX, ainda não reconhecia plenamente esse grupo como sujeito de direitos, realidade comum em diversas nações da época.

Um ponto de virada: a influência da ONU e o pós-Segunda Guerra Mundial

O estudo também destaca que a mudança de cenário no mundo especialmente após as atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial foi decisiva para o surgimento de um novo paradigma internacional de proteção aos direitos humanos. A criação da ONU, em 1945, estabeleceu bases sólidas para um sistema global de defesa da dignidade humana, o que influenciou diretamente o processo de (re)democratização de diversos Estados e o desenvolvimento dos modernos textos constitucionais. Para Lívia Palumbo, esse movimento internacional serviu como marco para que países, inclusive o Brasil, passassem a incorporar em suas Constituições dispositivos mais claros, robustos e inclusivos voltados às pessoas com deficiência.

A Constituição de 1988 e a consagração do sistema protecionista

A chamada Constituição Cidadã, promulgada em 1988, representa, segundo a pesquisa, o grande divisor de águas na proteção constitucional às pessoas com deficiência. Pela primeira vez, o país estabeleceu:

  • direitos fundamentais expressos
  • políticas de inclusão
  • diretrizes para acessibilidade
  • mecanismos antidiscriminatórios
  • a possibilidade de regulamentação infraconstitucional ampla

A partir desse marco, o Brasil passou a caminhar em sintonia com a normativa internacional, incorporando tratados, convenções e políticas públicas orientadas pela ONU.

Para Lívia Palumbo, compreender essa evolução é fundamental para reconhecer as violações históricas sofridas pela população com deficiência e, ao mesmo tempo, valorizar os avanços que permitiram construir o atual arcabouço jurídico protetivo.

“Estudar cada texto constitucional brasileiro e seus respectivos momentos históricos e sociais leva à percepção da gradual evolução da proteção dos direitos das pessoas com deficiência para a proteção atual de que essas pessoas são titulares de direitos fundamentais. É compreender, também, como os contextos sociais, políticos e internacionais moldaram (ou demoraram a esculpir) a proteção desse grupo vulnerável”. Destaca Palumbo.

A pesquisa reforça que, embora a Constituição de 1988 tenha inaugurado um novo capítulo, ainda há desafios significativos para garantir plena inclusão e igualdade de oportunidades. O estudo conduzido por Lívia Palumbo não é apenas uma análise jurídica; é também uma reflexão histórica e social sobre a trajetória de um dos grupos mais vulnerabilizados ao longo do tempo. Sua pesquisa evidencia que a construção da proteção constitucional das pessoas com deficiência foi tardia, gradual e profundamente influenciada por movimentos democráticos globais. Ao revelar essa evolução e as lacunas que persistiram por décadas, o trabalho contribui para que o debate sobre inclusão, direitos humanos e cidadania continue avançando no Brasil.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

9 + 4 = ?
Reload

This CAPTCHA helps ensure that you are human. Please enter the requested characters.

Leia Também

Coleção Huishan Zhang Resort 2027

Coleção Huishan Zhang Resort 2027

Huishan Zhang permanece metódico em sua abordagem ao design de coleções – mesmo para os períodos intermediários, como resort e pré-outono. Ele coleta