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A outra odisséia de Lupita Nyong’o é pessoal (e política)

A outra odisséia de Lupita Nyong'o é pessoal (e política)

Em 2014, Lupita Nyong’o ganhou um Oscar por seu primeiro papel no cinema em 12 anos de escravidão. Ela também apareceu na capa da Vogafoi coroada rosto da Lancôme, declarada Mulher do Ano pela Glamour, e Mulher Mais Bonita por Pessoas. Naquele mesmo ano, Nyong’o descobriu que tinha miomas, mais de 30 deles, que teria que se submeter a uma cirurgia para removê-los. “Eu estava vivenciando todos esses destaques e isso foi um choque”, lembra Nyong’o.

Chegar ao diagnóstico exigiu persistência da parte dela. Nyong’o foi inicialmente dispensada pelo médico, mas continuou insistindo que algo parecia errado. “Na verdade, eu já sentia sintomas há algum tempo, mas não fui ensinada a ouvir meu corpo”, ela conta. Os sintomas dos miomas podem incluir sangramento menstrual intenso; períodos mais longos, mais frequentes e mais dolorosos; dor ou pressão pélvica; micção frequente; e, às vezes, desafios de fertilidade. Como os miomas são uma doença de longa duração, esses sintomas podem ser crônicos. Eles também podem, para muitas mulheres, ser algo que ignoram ou ignoram. Um fato que Nyong’o está decidido a tentar mudar. “Quando eu era adolescente e aprendia sobre minha saúde reprodutiva, o que me disseram foi que, como mulher, você deveria sentir dores quando a menstruação começar”, diz ela. “Então, quando minha menstruação estava mudando, ficando mais longa, e eu estava com cólicas e coagulando mais, eu não sabia soar o alarme porque pensei que era meu destino na vida como mulher ficar desconfortável e com dor.”

Essa noção não é incomum. A falta de literacia corporal das mulheres e o que nos ensinam desde tenra idade sobre suportar a dor, tanto directa como abertamente, são generalizados e profundamente enraizados. “Comunicámos às mulheres que a dor é normal e que dói ser mulher”, diz a senadora Angela Alsobrooks, de Maryland, com quem Nyong’o se associou para pressionar o Congresso a canalizar financiamento para a investigação dos miomas. É desesperadamente necessário.

“Apenas 0,03% do nosso investimento em pesquisa vai para o estudo de uma condição que afeta 80% de todas as mulheres aos 50 anos”, diz Alsobrooks. E entre as mulheres negras, que são desproporcionalmente afetadas pelos miomas, essa percentagem é ainda maior. Alsobrooks, juntamente com a senadora Cynthia Lummis e a congressista Shontel Brown, apresentaram a Lei U-FIGHT (Lei de Intervenção de Miomas Uterinos e Tratamento de Saúde Ginecológica) no ano passado, legislação que visa aumentar o investimento federal no financiamento de pesquisas, espalhar a conscientização, abordar disparidades nos cuidados e melhorar os exames de detecção precoce. Esses exames são extremamente importantes porque detectar miomas mais cedo não significaria apenas melhorar a qualidade de vida de alguém mais cedo, mas também fazê-lo sem ter que recorrer a meios mais invasivos, como uma histerectomia (um tratamento comum para miomas).

Lupita Nyong’o



Fonte ==> Vogue

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