Christopher Esber construiu um negócio com vestidos de jersey super sexy que enfatizam o espaço negativo – seus números “piercing” geraram muitos imitadores pálidos. Mas nesta temporada o estilista disse que queria apostar em um lado mais masculino da feminilidade.
“Gosto da ideia de vestir-se com força”, disse ele durante uma visita ao seu showroom em Paris. “Eu queria brincar com a ideia de romper com a utilidade e a forma como vemos as coisas, não apenas do ponto de vista visual, mas também como juntamos as peças. Há uma verdadeira dicotomia com o que faço naturalmente.”
O ponto de partida veio direto de casa, na forma de uma jaqueta de caça usada pelo pai de Esber nos anos 80 e passada ao irmão mais velho. Após uma inspeção mais detalhada, aquela peça aparentemente simples revelou-se intrincadamente construída a partir de mais de 80 painéis separados. A resposta de Esber foi desmontá-lo e remontá-lo com tecidos mais sofisticados e leves, como um patchwork de renda francesa em rosa, laranja e fúcsia, estruturado por fita branca em espinha. Outro veio em camurça exuberante com ombreiras acolchoadas, uma referência maliciosa à sua próxima linha masculina, que estreia em janeiro. “A utilidade ainda é legível, só que não se aplica mais”, ofereceu.
Essa linha de fundo – interrompendo a funcionalidade com uma estampa extravagante ou pontuando peças práticas como uma saia lápis com amplas faixas de transparência – informou uma coleção repleta, literal e figurativamente, de algumas ideias ousadas.
Uma calça harém cor de vinho feita de mil folhas de jersey e georgette ostentava uma fenda da panturrilha até a cintura que, em movimento, mostrava toda a extensão da perna. Calças de alfaiataria, cortadas na costura interna, transformaram-se em saia com aplicações de godet, as pernas agora transformadas em bolsos fundos. Capris com franjas de “papel de parede” e calças harém onduladas desafiaram as ideias convencionais sobre o que uma saia poderia ser. Um colete de borla rasgado era visualmente impressionante, mas apenas um pouco mais denso que a rede arrastão: parecia pronto para o editorial, mas impenitentemente impraticável.
A defesa do vestuário no mundo real era mais reservada, mas forte. As calças foram vencedoras consistentes, desde formatos fáceis de cano até flares em dois tons, cargos pretos fluidos e jeans elegantes de cintura baixa remendados com jeans e tecido listrado. Combinado com uma jaqueta utilitária espaçosa, uma bainha recortada em lã tropical cor de sálvia tornou-se apropriada para o escritório. Um top corpete amarrado a calças com estrutura de veleiro combinada com detalhes em pele. Um bombardeiro inclinado da década de 1980 com um painel de zíper removível parecia poder ser movido facilmente do escritório para a noite. Um desvio incomum para os florais rendeu uma estampa quente de passiflora trabalhada de várias maneiras e um motivo botânico levemente retrô.
De volta ao registro de assinaturas de Esber, um vestido drapeado em jersey branco foi emendado com tule em tom de pele. Outra, de preto, foi a resposta à pergunta: e se um vestido fosse tão fácil quanto uma mochila? Acontece que pode ser.
Fonte ==> Vogue



