Delicadeza e sensualidade colidiram na última coleção de Pepa Salazar. Movendo-se sem esforço dos rosas suaves para as transparências ousadas e tecendo estampas florais, penas, rendas e veludo, a estilista construiu a linguagem hiperfeminina que estabeleceu até agora. Ela explicou como brincou com “materiais clássicos – ou quase desatualizados –, às vezes cafonas ou exigentes dentro da minha estrutura habitual, mas cada um deles é transformado em camisetas torcidas ou minissaias que reinventam completamente seu significado”.
As polos foram enriquecidas com detalhes que vão desde logotipos bordados até frases embelezadas com strass como “sinto sua falta” nas costas, elementos que são uma assinatura do trabalho de Salazar. “Há sempre um toque de autobiografia ou humor agudo nas coleções”, observou ela. A assimetria também é fundamental para seu universo. “As tensões no tecido vêm do meu método de trabalho e da forma como caipo”, explicou Salazar. “Adoro desenhar para mulheres despreocupadas – um pouco caóticas, irresistivelmente carismáticas. As calças justas quase se tornam uma pequena bolsa, carregando tudo o que precisamos: passaporte, passagens, batom ou fósforos. E testemunhando um gesto espontaneamente encantador em alguém”, acrescentou ela, oferecendo um vislumbre de seu moodboard mental.
Esta ideia diversa da mulher Salazar ganhou vida no casting da coleção; que incluiu a cantora Amore, a historiadora Ana Garriga, a atriz Ana Rujas e a estilista Helena Tejedor, além da modelo Miriam Sanchez. “Cada uma delas tem a sua própria voz, um talento que abraçam plenamente; são uma afirmação em si mesmas, magnéticas. São as mulheres que me inspiram.”
“Muitas vezes as pessoas me dizem que minhas peças têm um toque sexy, mas para mim o mais sexy é o talento”, revelou Salazar. “Havia uma clara contradição entre ser uma mulher intelectual e abraçar a sensualidade. Quero fundir os dois: sinto-me atraída por pessoas carismáticas com voz própria.” Sua nova coleção fundiu perfeitamente as duas coisas.
Fonte ==> Vogue



