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Kanye West canta para fãs na Holanda apesar de protesto – 07/06/2026 – Ilustrada

Kanye West canta para fãs na Holanda apesar de protesto - 07/06/2026 - Ilustrada

Pela primeira vez em mais de uma década, Ye, o rapper americano antes conhecido como Kanye West, se apresentou em um grande palco da Europa Ocidental, na noite de sábado (7).

Do lado de fora de uma arena na Holanda, um pequeno grupo de manifestantes condenou seu comportamento antissemita, incluindo o lançamento de uma música intitulada “Heil Hitler”. Mas lá dentro, dezenas de milhares de pessoas focaram em sua música, com as mãos levantadas para o alto e assim permanecendo durante a maior parte de um show de aproximadamente duas horas.

Dentro do estádio GelreDome, em Arnhem, uma cidade no leste holandês, a atmosfera era de pura euforia. As legiões de fãs de Ye, muitos dos quais estavam vendo-o em um show pela primeira vez —porque ainda estavam no ensino fundamental durante sua última grande turnê europeia, em 2014—, passaram o show cantando cada letra e dançando ao som de hits como “Power”, “Stronger” e “King”.

“Esse público é louco demais”, disse Ye do topo de um cenário projetado para parecer um globo gigante. Fora isso, ele mal se dirigiu aos quase 40.000 fãs presentes.

Muitos deles disseram que conseguiam separar a arte de Ye de seus comentários odiosos —”death con 3 on jewish people”, escreveu o rapper nas redes sociais em 2022— e da oposição política às suas duas apresentações na Holanda. Outro show está programado para segunda-feira, quando o rapper completa 49 anos.

“Estou aqui pela música”, disse Domenico Wiener, de 25 anos, “não pelo ponto de vista dele”. Ele, que dirigiu quase duas horas até Arnhem vindo do sul do país, havia comprado ingressos para o show em fevereiro. Disse que sua maior preocupação era se o evento aconteceria conforme programado.

Para as poucas dezenas de manifestantes que se reuniram do lado de fora do estádio, a noite significava algo mais grave. Eles trouxeram painéis eletrônicos exibindo uma citação antissemita de Ye, além de cartazes com slogans condenando o ódio contra judeus.

Já se passaram décadas desde a Segunda Guerra Mundial, disse um manifestante, Roger van Oordt, mas “há mais ódio aberto contra judeus”.

Van Oordt, de 68 anos, viajou até o show vindo da cidade holandesa de Amersfoort. Ele era um dos poucos manifestantes que não era judeu, disse, mas queria apoiar a comunidade judaica. “Os judeus não deveriam estar sozinhos aqui”, afirmou.

Enquanto passavam pela manifestação, alguns fãs tiraram selfies em frente a faixas vermelhas que os manifestantes haviam pendurado, algumas das quais incluíam suásticas, enquanto outros riam. Outros ainda reconheceram que haviam perdido completamente a controvérsia em torno do show.

Na maior parte, porém, os fãs pareciam mal notar o protesto enquanto esperavam para comprar produtos da marca de Ye ou entrar na arena.

Durante meses, a turnê europeia do artista enfrentou oposição. Em abril, o governo britânico proibiu o rapper de entrar no país para realizar uma série de shows. Mais tarde naquele mês, Ye cancelou um show em Marselha, na França, após oposição do Ministério do Interior francês.

Na Suíça, o clube de futebol FC Basel cancelou a data de Ye em seu estádio. O mesmo fez um estádio na Polônia. E neste mês, autoridades italianas cancelaram um show que estava planejado para julho.

Mas a Holanda adotou outra abordagem. Na semana passada, o prefeito de Arnhem, Ahmed Marcouch, concedeu aos organizadores a licença necessária para realizar o evento, deixando de lado a pressão de parlamentares e grupos judaicos. Ele também estendeu um convite a Ye para visitar o Museu do Holocausto em Amsterdã ou outro memorial, como forma de entender a história judaica holandesa. Até sábado, o rapper não havia respondido.

Salvo mais cancelamentos, Ye está programado para se apresentar na Geórgia, Albânia, Portugal e Espanha neste verão, além da Flórida. Uma semana atrás, ele se apresentou para mais de 100.000 pessoas em Istambul. Em abril, o rapper cantou em Los Angeles, seu primeiro show completo nos Estados Unidos desde 2021.

Para Gideon Querido van Frank, que trabalha para o Centro de Informação e Documentação Israel, o grupo holandês que organizou a manifestação de sábado, o fato de a maioria dos manifestantes ser judaica foi decepcionante. “Onde estão todos os meus amigos de antes?”, disse ele. “Me sinto sozinho”.

Por sua vez, Ye havia publicado um anúncio de página inteira no The Wall Street Journal em janeiro, pedindo desculpas por suas ações antissemitas. Foi seu segundo pedido de desculpas desde 2023. Em 2025, durante um período de quatro meses que Ye descreveu no anúncio do Journal como “um episódio maníaco de comportamento psicótico, paranoico e impulsivo”, ele havia retirado esse pedido de desculpas.

“Não sou nazista nem antissemita”, escreveu ele no Journal, atribuindo seu comportamento ao transtorno bipolar tipo I não tratado, durante um período em que havia parado de tomar medicação.

Muitos fãs em Arnhem no sábado pareciam concordar que o transtorno bipolar de Ye era o culpado por seu comportamento antissemita. Os produtos à venda incluíam uma camiseta de US$ 58, ou quase R$ 300, que usava um palavrão de quatro letras para denunciar o transtorno bipolar.

“O clima está bom”, disse uma fã, Melanie van der Velden, de 20 anos, acrescentando que a maioria das pessoas parecia ter comparecido para apoiar a música de Ye, não seu comportamento passado.

“Não acho que as pessoas estejam pensando nisso”, disse ela.



Fonte ==> Uol

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