Na quarta-feira (27), foram anunciados os primeiros artistas para uma série de shows criados para celebrar o 250º aniversário dos Estados Unidos. No mesmo dia, vários deles já haviam desistido de participar.
Os shows estão previstos para junho e julho em Washington e tinham em seu line-up artistas de sucesso dos anos 1980 e 1990. Parte deles publicou nas redes sociais que não sabia que o evento fazia parte de uma iniciativa do governo Donald Trump para celebrar o aniversário do país.
O rapper Young MC, vencedor do Grammy, foi um dos primeiros a sair. No Instagram, escreveu em letras maiúsculas que havia instruído seus agentes a cancelar sua participação no evento Freedom 250. “Os artistas nunca foram informados sobre qualquer envolvimento político com o evento”, disse.
Ele acrescentou que espera se apresentar em Washington “em breve, em um evento que não seja tão politicamente carregado.” Morris Day, vocalista da banda de funk-rock The Time —ligada a Prince— também anunciou sua retirada com uma postagem curta e direta: “É não para mim.”
Na quinta-feira (28), o grupo de funk-soul Commodores e a cantora country Martina McBride se juntaram às desistências. “Nossa música sempre foi nossa voz, e escolhemos não nos filiar publicamente a nenhum partido político específico”, disse a banda em nota.
McBride afirmou ter acreditado que o evento seria apartidário e classificou o convite como “enganoso”. “Me perturba muito que qualquer fã que tenha sido tocado pela minha música possa sentir agora que estou abandonando o significado por trás dessas músicas”, escreveu.
O músico de rock Bret Michaels também anunciou sua saída do festival. “Infelizmente, o que nos foi apresentado como uma celebração do nosso país se transformou em algo muito mais polêmico do que aquilo em que eu concordei em participar”, escreveu o vocalista do Poison nas redes sociais.
“Também surgiram preocupações com relação à segurança dos meus fãs, da banda, da equipe, da minha família e a minha própria, incluindo ameaças completamente infundadas e imperdoáveis”, ele afirmou.
Em nota, a porta-voz do Freedom 250, Rachel Reisner, chamou a iniciativa de “apartidária” e disse que o evento busca “honrar a história e engajar todos os americanos”. Os organizadores afirmaram ainda que seguem negociando com os artistas e seus empresários para tentar reverter as desistências.
Também na quinta-feira, a cantora Jodie Rocco, do grupo Milli Vanilli, afirmou que ela e sua irmã ficaram “chocadas” ao ver o nome da banda no lineup —pois nunca foram convidadas. O grupo C+C Music Factory, conhecido pelo hit “Gonna Make You Sweat”, ainda avalia se participa. O vocalista Freedom Williams inicialmente recusou, mas depois sinalizou, em vídeo, intenção de se apresentar mesmo diante das críticas.
Os artistas que seguem confirmados são Vanilla Ice —que se apresentou na festa de Réveillon de Trump em Mar-a-Lago— e Flo Rida.
Aceitar ou recusar um convite ligado a Trump é amplamente visto como um endosso ou rejeição ao presidente, narrativa que se repete desde seu primeiro mandato. Equipes esportivas debatem se vão à Casa Branca após conquistar títulos; artistas exigem que suas músicas sejam retiradas de comícios; e vários shows no Kennedy Center foram cancelados após mudanças promovidas por Trump na instituição.
Os shows estão programados para acontecer entre 25 de junho e 10 de julho no National Mall.
Fonte ==> Uol



