O show do Men at Work em São Paulo começou às 21h20, com Colin Hay entrando no palco de blazer branco, calça branca e camisa de linho branca, segurando uma guitarra sunburst entre o amarelo e o vermelho.
Logo na entrada, ele abriu um sorriso enorme, disse “Brasil” e fingiu enxugar uma lágrima, como alguém feliz por estar de volta ao país.
Hoje, Hay é o único integrante clássico da banda no palco. O grupo atual funciona mais como uma formação de apoio para suas músicas do que como uma reunião do Men at Work original.
Ainda assim, a identidade sonora continua ali, especialmente pelas flautas e saxofones executados pela garota de vermelho da banda, Rachel Mazer, que também toca órgão e nasceu depois de todas aquelas músicas terem sido compostas e feito sucesso.
A pista estava bem lotada e cercada por poltronas numa espécie de anfiteatro. Muita camiseta preta, várias do Pink Floyd, bolsas Gucci, Chanel e Prada, famílias inteiras, jovens acompanhando tios e um clima de pós-expediente de escritório da Faria Lima.
Antes do show, por exemplo, era possível ouvir dois farialimers dando conselhos um ao outro: “o não você já tem”.
O começo da apresentação exigia paciência de quem estava esperando os grandes hits, mas, para falar a verdade, o público estava bem paciente.
Colin Hay abriu espaço para músicas menos conhecidas, faixas de sua carreira solo e longos trechos instrumentais antes de entregar as canções mais famosas. Falando em paciência, o show ainda teve solo de bateria e um complexo solo de baixo.
Quando vieram Who Can It Be Now? e Overkill, o ambiente mudou. Pessoas cantavam alto ao redor da pista, quase sem precisar olhar para o palco. Em “Overkill”, especialmente, a participação do público parecia mais forte do que em outros momentos da noite.
Já em Down Under, a casa se transformou num karaokê coletivo —se não com a letra original, pelo menos nos “la-la-las”.
Entre as músicas, Colin Hay se mostrou confortável no palco, sustentando notas longas para arrancar aplausos e conduzindo a plateia com a experiência de alguém que toca esse repertório há décadas.
Aos 72 anos, ainda canta com firmeza suficiente para manter intactas músicas que atravessaram gerações.
As críticas recentes da imprensa internacional sobre os shows atuais da banda apontam justamente nessa direção: não um retorno de uma banda, mas sim um músico veterano defendendo ao vivo um catálogo que continua funcionando.
Em São Paulo, ficou claro que boa parte do público talvez conhecesse apenas os refrães mais famosos. Mesmo assim, o show conseguiu transformar um repertório dos anos 1980 em encontro de gerações diferentes dentro da mesma pista.
Fonte ==> Uol



