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Um estoque secreto de moda vem à tona

Um estoque secreto de moda vem à tona

Existem os obsessivos pela moda e também há Jean-Denis Franoux. Professor de moda de longa data no Studio Berçot e designer de 1994 a 2001, Franoux começou a colecionar frascos de perfume ainda criança, antes de se viciar em roupas. Como estudante de moda em Paris em 1990, ele gastou seus francos extras no Puces, depois se tornou um viciado no eBay e em leilões na vida real, décadas antes de a caça vintage se tornar o passatempo favorito das pessoas da moda. Foi assim que ele conquistou múltiplos das coleções fundamentais de John Galliano, Comme des Garçons, Yohji Yamamoto, Martin Margiela e Jean Paul Gaultier – além de inúmeras raridades de Madeleine Vionnet, Schiaparelli, Balenciaga, Madame Grès, Jeanne Lanvin e outros – acumulando-os não por capricho ou especulação, mas por uma necessidade permanente de entender os porquês e comos da forma.

Hoje, aos 56 anos, Franoux possui um arquivo de 25 mil peças e continua crescendo. Entre suas últimas pontuações: um vestido de alta costura Balenciaga austero, mas opulento, do inverno de 1938, em perfeitas condições, com costuras em zigue-zague, ombros levemente levantados e mangas arredondadas, que ressurgiu no Vinted na Espanha. Outra: mais de 400 peças Vionnet originais, preservadas intocadas desde que a designer fechou a sua casa em 1939. “Para mim, são como máquinas do tempo”, disse ele. Ele comprou o lote para o bem dos seus alunos, observa ele, mas também para mantê-lo longe das mãos dos falsificadores.

De hoje à noite até sábado, um evento somente para convidados em um espaço privado no Upper Marais oferecerá uma primeira visão da conquista coletiva, intitulada Regarderobes (o nome é uma mala de viagem das palavras “look” e “guarda-roupas”). Agora estruturado como um fundo patrimonial, o acervo está legalmente protegido contra venda ou dispersão e será disponibilizado para escolas e outras instituições. Para sua estreia como curador, Franoux escolheu a dedo cerca de 150 peças, incluindo 50 looks completos, desde Galliano, Yamamoto e Comme des Garçons de meados da década de 1980 até silhuetas dos anos 1930 (Hermès, Schiaparelli), anos 40/60 (Balenciaga, Balmain) e anos 70/90 (Chloé, Gaultier, Margiela).

Dias antes da inauguração, ele recebeu Voga para seu apartamento/depósito/estúdio fotográfico improvisado em Paris, onde centenas de estantes de achados, enquanto outros, empilhados em caixas do chão ao teto, aguardam seu close-up (a maior parte de seu tesouro, entretanto, está ganhando tempo em um depósito em algum lugar perto de sua terra natal, Epinal, no leste da França). Numa conversa ampla, Franoux falou sobre as semelhanças inesperadas entre perfume e moda, o “fator Frankenstein”, e por que, em vez de lucrar – ou doar tudo a um museu – ele decidiu criar um fundo de doação. Esta conversa foi condensada e editada para maior clareza.

Jean-Denis Franoux

Foto de : Pascal Meuwissen





Fonte ==> Vogue

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