Algumas coisas só revelam seu verdadeiro significado na segunda leitura.
Um livro.
Uma obra de arte.
Uma conversa.
Uma decisão.
A primeira leitura costuma responder às perguntas mais evidentes.
A segunda revela aquilo que permaneceu invisível.
Experiência e tempo caminham próximos por uma razão simples: ambos oferecem a oportunidade de reler.
Reler um mercado.
Reler uma estratégia.
Reler uma convicção.
Nas organizações, porém, existe uma resistência silenciosa à segunda leitura.
Depois que um diagnóstico é estabelecido, passamos a procurar evidências que o confirmem.
Depois que uma estratégia é definida, começamos a interpretar o ambiente a partir dela.
Não por falta de inteligência.
Mas porque toda interpretação ilumina uma parte da realidade e, ao mesmo tempo, obscurece outra.
O Executivo Nexialista cultiva um hábito pouco percebido.
Ele relê.
Relê indicadores que pareciam conclusivos.
Relê comportamentos que pareciam compreendidos.
Relê relações de causa e efeito tratadas como definitivas.
Não para encontrar erros.
Mas porque reconhece que sistemas complexos continuam mudando enquanto acreditamos estar observando o mesmo cenário.
Essa é uma disciplina silenciosa.
Desconfiar da primeira explicação, inclusive quando ela parece convincente.
É nesse ponto que informação e compreensão deixam de ser sinônimos.
A informação oferece respostas.
A compreensão melhora as perguntas.
Algumas das decisões mais importantes de uma organização não surgem de uma nova ideia.
Surgem de uma nova leitura da mesma realidade.



